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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Um copo invulgar


Esta é a história de um copo. Um copo como tantos outros, de vidro, um pouco embaciado devido às inúmeras lavagens a que foi submetido, mas também pelo passar do tempo.
   Não se trata de mais uma banal história sobre um copo que fala e tem pensamentos, porque este objecto, que todos usamos no nosso dia-a-dia, tem uma pequena particularidade, não gosta de ser molhado.
   Começarei então a narrar um bizarro episódio da vida do nosso copo.
   Era um dia como tantos outros, o copo iniciava a manhã dentro de um armário da cozinha da casa de Joana ao lado de tantos outros copos e chávenas, como era habitual. Joana levantou-se de manhã cedo e, antes de começar a tomar o seu pequeno-almoço, decidiu beber um copo de água. Para este efeito, abriu o armário e pegou no nosso copo. Este, pressentindo que ia ser molhado, começou a ficar embaciado de tanto medo, embora tentasse dizer a si próprio que o facto de a Joana o estar prestes a encher de água, não era algo assim tão dramático. Percebendo a aflição do copo, todos os outros começaram a fazer troça dele, bem como as chávenas e todos os outros objectos de cozinha.
   Joana abriu o frigorífico, onde tinha sempre uma garrafa de água bem fresquinha, pegou nesta, enquanto vertia a água para dentro do nosso copo. Mal começou a sentir a sensação húmida que percorria todo o seu volume, o copo sentiu-se como se estivesse a estilhaçar-se em pequenos pedacinhos de vidro, desejando que a rapariga acabasse depressa com aquele seu sofrimento atroz. Joana bebeu de um só trago toda a água que estava dentro do copo, limpou-o e voltou a metê-lo dentro do armário. Apesar de já não conter água dentro de si, o pobre copo continuou deprimido durante algum tempo, sem poder contar com a compreensão dos outros objectos, pois estes não paravam de o humilhar.
   Passadas umas horas, o nosso amigo já se encontrava mais calmo e de volta ao seu estado de espírito habitual, decidido a aproveitar da melhor maneira possível o resto do dia, pois, na manhã seguinte, repetir-se-ia o mesmo cenário.

Catarina Rodrigues

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