Nesse dia, trazia umas calças de ganga, ligeiramente abertas em baixo, uma camisa branca e umas botas pretas com um ligeiro salto. Como estava muito frio, vestia por cima um casaco comprido preto, de lã. Todo este conjunto lhe dava o ar de directora de uma grande empresa.
Não era seu hábito arranjar-se assim, mas hoje era uma ocasião especial. Tinha conhecido um rapaz na faculdade e neste dia iam sair, só os dois. O seu nome era Francisco. Chegaram os dois ao local marcado, ao mesmo tempo. Tinham decidido encontrar-se nos jardins da Gulbenkian, onde poderiam estar à vontade, sem muito barulho.
Quando lá chegaram dirigiram-se ao bar, perto do museu, para irem lanchar. Conversaram durante horas, sobre tudo e mais alguma coisa. Francisco quis saber mais sobre ela. O que gostava de fazer nos tempos livres, porque tinha optado por aquele curso, quais as suas ambições e por aí fora.
Embora fosse bastante cautelosa, Marta estava cada vez mais encantada por este rapaz de olhos verdes. Nunca lhe tinha acontecido tal coisa.
Já se começava a fazer noite, quando Francisco pegou na mão dela e a levou para o jardim. Ao chegarem, gerou-se silêncio. Nenhum deles sabia bem o que dizer. Então, Francisco pegou-lhe na cara suavemente e beijou-a. Marta voou por dentro. Tudo e todos à sua volta tinham desaparecido. E assim estiveram, durante mais um tempo, sob o olhar atento da lua.
Catarina Rodrigues

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