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sábado, 16 de março de 2013

   Marta tinha 22 anos. Não era o estereótipo normal de rapariga. Gordinha, não gostava de se maquilhar, nem de roupa demasiado feminina. Era detentora de um belo cabelo castanho, capaz de fazer inveja a muitas mulheres. Os seus olhos eram também eles castanhos, um pouco amendoados. Além de todas estas características, Marta era uma moça alta, com cerca de um metro e setenta, ou seja, possuía mais altura do que a maioria das raparigas da sua idade.
   Nesse dia, trazia umas calças de ganga, ligeiramente abertas em baixo, uma camisa branca e umas botas pretas com um ligeiro salto. Como estava muito frio, vestia por cima um casaco comprido preto, de lã. Todo este conjunto lhe dava o ar de directora de uma grande empresa.
   Não era seu hábito arranjar-se assim, mas hoje era uma ocasião especial. Tinha conhecido um rapaz na faculdade e neste dia iam sair, só os dois. O seu nome era Francisco. Chegaram os dois ao local marcado, ao mesmo tempo. Tinham decidido encontrar-se nos jardins da Gulbenkian, onde poderiam estar à vontade, sem muito barulho.
   Quando lá chegaram dirigiram-se ao bar, perto do museu, para irem lanchar. Conversaram durante horas, sobre tudo e mais alguma coisa. Francisco quis saber mais sobre ela. O que gostava de fazer nos tempos livres, porque tinha optado por aquele curso, quais as suas ambições e por aí fora.
   Embora fosse bastante cautelosa, Marta estava cada vez mais encantada por este rapaz de olhos verdes. Nunca lhe tinha acontecido tal coisa.
   Já se começava a fazer noite, quando Francisco pegou na mão dela e a levou para o jardim. Ao chegarem, gerou-se silêncio. Nenhum deles sabia bem o que dizer. Então, Francisco pegou-lhe na cara suavemente e beijou-a. Marta voou por dentro. Tudo e todos à sua volta tinham desaparecido. E assim estiveram, durante mais um tempo, sob o olhar atento da lua.

Catarina Rodrigues

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